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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Irmã Clara: vida consagrada à transformação da sociedade

Com 15 anos de idade, ela sentiu o chamado à vocação religiosa e o desejo de fazer mais pelas pessoas
Irmã Clara na sede da Associação Madre Teresa de Jesus, no Elisa Maria

Impossível andar pelos morros do Jardim Elisa Maria, na periferia da zona noroeste de São Paulo, sem conhecer ou ouvir falar da Irmã Clara Amadio, 83, e a obra social que realiza com crianças e adolescentes. Há 17 anos, a Irmã ajudou a fundar a Associação Madre Teresa de Jesus, que hoje atende 210 crianças e adolescentes carentes de 6 a 15 anos, oferecendo capacitação profissional e atividades culturais como música, teatro, esportes e poesia. A sede da Associação fica ao lado da Comunidade Nossa Senhora de Fátima, pertencente à Paróquia Imaculado Coração de Maria, na Região Brasilândia. Irmã Clara é religiosa da Congregação das Irmãs Escolares de Nossa Senhora e professou os votos religiosos em 1956. Desde então, dedica-se a obras sociais, sobretudo com pobres, crianças e adolescentes.
Chamada para servir os mais pobres
Com 15 anos de idade, ela sentiu o chamado à vocação religiosa e o desejo de fazer mais pelas pessoas. “Tive que esperar completar os 21 anos para entrar na Congregação. Minha família, no começo, era contra, mas com o passar do tempo começaram a ter orgulho da minha escolha, e se tornaram muito mais religiosos”. Desde que professou os votos como religiosa, a Irmã procurou sempre estar junto aos pobres, trabalhando com crianças em situação de rua, meninas internas em reeducação, e na alfabetização de adultos e crianças. Uma experiência marcante em sua vida foi na cidade de Enéias Marques (PR), em missão com agricultores analfabetos. “Naquele povoado, iniciei o trabalho de alfabetização de adultos. Não havia luz na cidade. Nosso período de aula terminava quando apagavam as velas, que cada aluno levava para iluminar a sala”.
Educação para transformar o mundo e as pessoas
Quem acompanha um dia da rotina da religiosa logo percebe sua dedicação, zelo e carinho pelas crianças e adolescentes que estão na Associação Madre Teresa. Foi o que a reportagem do O SÃO PAULO verificou na sexta-feira, 7: a cada criança que a Irmã encontrava, sempre era recebida com um abraço e um sorriso, e ela cheia de orgulho, apresentava cada um dos “seus meninos”. Hoje com a saúde debilitada, Irmã Clara já não sobe mais os morros do Jardim Elisa Maria, mas continua atuante no bairro e na luta por melhorias nos direitos a moradia, atendimento médico e transporte público dos 35 mil moradores do local. E por que ainda mantém tanta dedicação mesmo aos 83 anos de idade? “Para transformar o mundo e as pessoas, para que todos tenham uma vida mais digna, para que possamos ajudar os nossos jovens e as nossas crianças a ter melhores condições de vida e um futuro melhor”, afirmou. Todos os dias, Irmã Clara acompanha os trabalhos na sede da Associação. Aos sábados, também atua na vida pastoral da Comunidade Nossa Senhora de Fátima, na Catequese, nas missas e no convívio com os paroquianos. “Com Deus, tudo é possível e com nosso esforço também”, disse à Irmã, na conclusão da conversa com a reportagem, recordando, ainda, o lema de sua vida religiosa e da Associação. “Educamos na convicção de que o mundo pode ser mudado pela transformação das pessoas”.


terça-feira, 31 de julho de 2012

Projeto Gol da Conquista leva esperança aos jovens da periferia

"O Projeto Gol da Conquista já era um sonho do coração de Deus" , são as primeiras palavras de Sandro Gaúcho, em entrevista cedida na sede do projeto social Gol da Conquista, em Santo André, no sábado, 14 de julho de 2012.
A iniciativa é coordenada pelo ex-jogador de futebol Sandro Gaúcho, considerado um dos maiores ídolos do Santo André, time pelo qual marcou 58 gols. “Eu tinha no meu coração um desejo de fazer um trabalho social alinhado com a minha aposentadoria”, relata Sandro.
O trabalho começou em maio de 2011, com o apoio da Igreja Plenitude Cristã e de seus membros. Sandro procurou um campo que fosse adequado para iniciar o seu sonho. Por indicação de conhecidos, chegou até o clube da Associação Atlética Náutico, localizado no Parque Erasmo Assunção, região periférica de Santo André.
O diretor do Clube, Sérgio Antônio Perseguetti afirma que esta é uma parceria que deu certo. “Recebemos a ideia do projeto e vimos que era algo bom, de cunho social e sem fins lucrativos que visava principalmente afastar as crianças da violência e das drogas”, diz.
A base do projeto é a escolinha de futebol, que atende aproximadamente 180 crianças e jovens, de 5 a 18 anos. Os treinos acontecem aos sábados pela manhã. Frequentar a escola é o principal critério para participar do projeto. Os coordenadores acompanham de perto o desenvolvimento escolar da garotada.
Bruno Souza de Carvalho tem 17 anos e participa do Gol da Conquista desde o início. Ele conta que joga futebol desde pequeno e sonha em ser jogador profissional. “Com o projeto eu já consegui participar de peneiras em alguns clubes da região, isso para mim é muito importante, já é uma oportunidade”, relata confiante.
Enquanto isso não acontece, o jovem treina bastante, sem esquecer dos estudos. Aos finais de semana, também trabalha em um buffet. O Gol da Conquista já é reconhecido por sua contribuição ao desenvolvimento social da comunidade, pois o projeto não visa apenas o futebol, mas oferece às crianças e às suas famílias apoio social, cultural e psicológico.
Para as mães da comunidade são oferecidas aulas de artesanato, nas quais aprendem a fazer bordados, pedrarias e bijuterias. Elas vendem os produtos como forma de completar a renda mensal. Regina Aparecida Silva, que faz parte da equipe de coordenação do projeto, relata a importância destas aulas. “Temos aqui histórias de mulheres que se curaram de depressão depois que começaram a participar das aulas de artesanato”.
Dentro do projeto também há espaço para aulas de dança. Cerca de 30 meninas e meninos participam desta atividade. As aulas de informática e inglês estão suspensas por falta de voluntários e equipamentos, mas em um futuro próximo, a coordenação pretende retomar estas atividades junto com as aulas de reforço escolar.
O projeto não recebe nenhum tipo de apoio financeiro nem do Estado, nem da Prefeitura. Atualmente, eles sobrevivem das doações de empresas, políticos e de pessoas da sociedade civil.
Atualmente, o campo de futebol precisa de melhorias, pois grande parte do terreno é de barro e, quando chove muito, as crianças são impedidas de jogar.  É preciso também cercar o campo com alambrados, investir em uniformes, bolas e materiais. Tudo isso precisa de ajuda financeira.
Sandro Gaúcho é otimista ao falar do futuro. “Nosso desejo é que o Gol da Conquista cresça e que tenhamos parceiros fixos para poderemos atender a um número maior de crianças”, relata. Por enquanto, o projeto não está recebendo novas inscrições devido ao grande número de alunos atendidos.
" O nosso sonho é que o  projeto cresça ainda mais", encerra Sandro .